Caio pelo Mundo por Ana Carolina

Caio pelo Mundo por Ana Carolina



Você teria coragem de sair da rotina, abrir mão do conforto, largar o emprego para passar os seus dias curtindo a vida ao lado de quem você mais ama?

Nós vivemos uma vida atribulada, cheia de compromissos, parece que passamos o dia apenas cumprindo tarefas. A sensação é que temos cada vez menos tempo para fazermos o que gostamos e de estar com quem amamos. Parece que a lógica da vida se inverteu e gastamos mais tempo com coisas que menos nos importa. E então, vivemos à espera dos fins de semana e em busca dos próximos feriados e férias para nos sentirmos vivos. E foi para fugir desse sistema sufocante que decidimos, eu e meu marido, viajarmos o mundo com o nosso filho Caio. Vendemos nossos carros, largamos nossos empregos, alugamos nossa casa, demos tchau para a rotina e colocamos o pé na estrada sem data para voltar. E ficamos por um ano e meio viajando o mundo.

Conhecemos 200 cidades espalhadas por 14 países, rodamos cerca de 70 mil km. Viajamos de avião (38 trechos), barco, trem, carro (compramos um na Austrália e outro na Nova Zelândia), ônibus. Ficamos em hotéis, albergues, carro (dormimos muitas noites no carro que compramos na Austrália), campings, barracas, cabines, couchsurfing (25 ao todo), workaway, trocamos hospedagem por fotografia, e mais 5 lugares graças às redes sociais.
Pudemos oferecer ao Caio experiências de toda uma vida em um par de meses, e em todas elas estávamos ao seu lado, 24h por dia, 7 dias da semana. O Caio conheceu a neve e fez bonecos de neve, aprendeu a mergulhar e até nadou com tartarugas gigantes e achou muitos "Nemos". Viu e interagiu com milhares de bichos (cangurus, koalas, quokkas, cacatuas, pelicanos, elefantes, camelo, macacos, vacas, morcegos gigantes). Conviveu com os mais diversos tipos de pessoas (pobres, ricas, fazendeiros, muçulmanos, ateus, héteros, homossexuais, vegetarianos, veganos) das mais variadas nacionalidades (americanos, russos, filipinos, indonésios, coreanos, birmaneses, vietnamitas, chineses, ingleses, croatas). Nadou e correu pelado, fez seus próprios brinquedos, aprendeu a brincar e se entrosar com meninos que falavam línguas muito diferentes da sua, mas que na hora da brincadeira pouco importava. Conheceu arrozais, inúmeros templos, igrejas, praias, gêiseres, florestas, vulcões e até andou em lava endurecida.

A cada dia uma nova experiência, novos lugares para explorar, novas pessoas para conhecer e muita coisa para aprender. Foram dias muito intensos e carregados de emoções. E a melhor parte da viagem era ver o rostinho dele feliz em viver e aprender tanta coisa em tão pouco tempo. E mesmo nos momentos mais difíceis, como quando um macaco roubou a sandália dele em Bali, ele sabia que nós estávamos ali, ao lado dele, dando apoio e segurança. Qual criança não gostaria de poder ter os pais ao seu lado todos os dias?
Demos essa oportunidade única ao nosso filho, mas realmente quem ganhou o presente fomos nós que pudemos desfrutar tantos dias ao lado do nosso tesouro. A nossa relação se fortaleceu e o nosso amor por ele cresceu mais a cada momento compartilhado.

Aprendemos muito com essa viagem, começamos a viagem de um jeito e terminamos diferentes. Agradecemos a todas as pessoas maravilhosas que conhecemos na estrada e que nos ajudaram e, muitas delas viraram nossos amigos. E o mais importante que ficou para nós de toda essa experiência é que precisamos de muito pouco para sermos felizes.

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